quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sobre paisagismo

Hoje, primeiro dia de aula, já tive assunto para aprender em paisagismo. Não foi nada de tão demais assim, já pendendo para um assunto de prova. Foi mais uma introdução para que não ficássemos com aquela idéia de que paisagismo era colocar árvores nas praças, criar lindos jardins e tudo isso que a mídia nos mostra.

Muito pelo contrário! Paisagismo ou Arquitetura da Paisagem, como a professora chama, é um conjunto de coisas que exercem um certo "ambiente" para um local livre. Como assim? Bom, quando estamos em um lugar completamente fechado, com piso, paredes e teto, tudo ao redor é construído, um espaço fechado. Mas no paisagismo trabalhamos com espaços livre/abertos. Mas isso não quer dizer que nesse espaço não haja "paredes, teto e piso." Muito pelo contrário. Existem sim esses "limites," mas somos nós que fazemos com que a paisagem seja entendida como espaço. Como exemplo se colocarmos várias árvores juntas umas das outras, dando a impressão de continuidade e ritmo, com o mesmo porte, mesma espécie, vamos estar criando um tipo de barreira, que pode ser chamado como "parede" do paisagismo. O "teto" podemos dizer que ele está por todo o lado. Sendo o céu o teto. Ou até mesmo, dando a impressão de ter um teto, brincando com a escala, mesmo não tendo. A professora citou uma obra de Paulo Mendes da Rocha, que se utilizou de um pórtico para dar uma nova escala em uma praça que estava rodeada de prédios altos. Isso fez com que ele criasse um "teto invisível," no caso, sendo um limite de espaço que não é construído. E o principal, o piso. O piso é mesmo o chão que nós pisamos, mas cada um com uma textura diferente. Um piso mais liso, mas ante-derrapante, para caminharmos, uma grama para a vegetação e a diferença de nível, a sinalização e a cor do asfalto, para automóveis. Isso tudo é o que o arquiteto-paisagista faz. Projeta esses "espaços" para que o usuário sinta-se dentro de um espaço, mas não um espaço confinado.

Sem contar que ela também falou que, se olharmos para determinado ponto da cidade, com um determinado tipo de paisagismo, é fácil saber em que época foi construída, em qual vertente foi baseada. Ou seja, o paisagismo está diretamente ligado com a história do lugar.

"Paisagem + história + usuário modificador"

Isso que concluí, com minhas palavras, o que ela quis dizer. Não somente o paisagista pode modificar o espaço, mas também os usuários. Afinal, cada época do ano, cada dia, muda com o passar do tempo. Hoje não foi e não será que nem ontem ou ante-ontem e as pessoas também não. As necessidades já vão ser diferentes, as idéias e os ideais também. Tudo muda e passa num piscar de olhos, inclusive a paisagem da cidade, que se adapta com a necessidade daquela população que vive ali.

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