Ontem foi um Natal que ninguém esperava que viesse de mim. Ontem parecia o dia que estava falando pela primeira vez, como homem. Não entendi, ficaram abismados com o que eu disse. Não sabiam o que eu estava falando, não sentiam o que eu estava sentindo. Por um simples sentimento preso em minha garganta. Por um simples sentimento não exteriorizado por falta de tempo ou de interesse de ambas as partes. Mas enfim deu certo. Depois de estrangular esses sentimentos e colocá-los para fora, já é um bom começo. As coisas ficaram um tanto desreguladas, confusas, sem nexo, mas finalmente foi. A voz de um homem, por mais alta e autoritária que seja, não rompe com convenções, não rompe com nada que já seja impregnado no ser. Não adianta dar murro em ponta de faca ou querer cutucar a onça com vara curta, não vai dar certo. E também, não adianta muito ser um adolescente e querer mostrar algo que para você está certo, mas a outra pessoa não conhece. Como eu li uma vez em algum lugar: quando criança, você não pode fazer nada, na adolescência você não é ouvido e é tratado como o limo da sociedade, quando adulto você é muito responsável e arca com as conseqüências da sua existência.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Preso na garganta
Algo estava realmente preso na garganta, até esse Natal. É estranho, mas foi no Natal. As coisas aconteceram de modo que nem eu e nem você poderíamos parar com a força humana que temos. Eu não pude parar de falar, de expressar tudo que sentia, tudo que tinha lido sobre, tudo que sabia, tudo que acreditava. Nem eu, nem você, humanamente poderia parar isso e me olhar sem nenhum asco de achar que sou frio e calculista. Se sou mesmo? Em determinados momentos, sim, sou. Estranho para alguém que me conhece, não saber isso. Pois é, minha própria mãe não sabia. Mas eu não a julgo e ela não é obrigada a saber de tudo sobre mim, ainda mais se não contar-lhe nada.
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